O setor de seguros aproxima-se de um ponto de inflexão decisivo.
Com base nos relatórios de mercado mais recentes e nas movimentações estratégicas de grandes players, a próxima fase da transformação digital não será apenas sobre “ajudar” o humano — mas sobre sistemas que percebem, raciocinam e gerenciam carteiras de forma dinâmica e contínua.
A seguir, destacamos as principais tendências que definirão a competitividade das seguradoras em 2026:
1. A ascensão da "IA Agente" (Agentic AI)
A mudança mais profunda para 2026 é a evolução da IA que apenas gera conteúdo (GenAI) para a IA que executa trabalho real (IA Agente). Enquanto a GenAI depende de prompts humanos a cada etapa, a IA Agente atua com autonomia, segundo ciclos de “percepção, raciocínio e ação”.
Destaques operacionais:
Execução autônoma: Agentes de IA já começam a assumir fluxos complexos, como pesquisar riscos reputacionais de segurados, gerar resumos de exposição e redigir comunicações automáticas com corretores — tudo sem supervisão direta constante.
Integração sistêmica: Ao contrário de chatbots isolados, esses agentes são integrados aos sistemas core, navegando por múltiplas ferramentas e bancos de dados para executar tarefas antes fragmentadas e manuais.
2. Gestão dinâmica de portfólio: o fim dos "pontos cegos"
Historicamente, a gestão de carteira foi baseada em relatórios com atraso de semanas — o que deixava subscritores e gestores sem visibilidade precisa do que estava sendo subscrito no momento presente.
Tendências para 2026:
Visão em tempo real: Plataformas modernas darão visibilidade instantânea sobre o impacto de cada nova apólice em limites de exposição, acumulação geográfica ou concentração de risco.
Regras dinâmicas de aceitação: Sistemas configuráveis poderão ajustar automaticamente os parâmetros de aceitação conforme os limites forem se aproximando do teto, prevenindo exposições indesejadas antes da emissão.
3. Estratégia “Start Left”: triagem inteligente na entrada
Estudos mostram que até 26% do tempo do time de subscrição é consumido em propostas que nunca se concretizam. Para combater esse desperdício, a IA passa a atuar na entrada do funil — antes mesmo de um analista humano tocar o caso.
Inovações no processo:
Priorização automatizada: A IA classifica submissões automaticamente assim que chegam. Propostas com maior aderência ao apetite e maior probabilidade de fechamento são priorizadas no pipeline do subscritor.
Filtragem imediata de risco: A tecnologia extrai dados de e-mails e documentos não estruturados na ingestão, aplicando critérios de elegibilidade de forma automática — acelerando a resposta e liberando os especialistas para o que realmente importa.
4. Modernização do tech stack e autonomia no-code
A infraestrutura de muitas seguradoras ainda é marcada por silos e legados. Em 2026, essa arquitetura se torna insustentável diante da demanda por decisões rápidas, integradas e auditáveis.
Evoluções esperadas:
Plataformas de trabalho unificadas: Workbenches operacionais consolidarão dados internos e externos em uma única tela, reduzindo a fricção, os erros e a dependência de múltiplos sistemas simultâneos.
Autonomia para áreas de negócio: Ferramentas no-code permitirão que áreas como subscrição, sinistros e antifraude criem e ajustem regras de decisão visualmente — sem a necessidade de tickets para a TI em cada mudança estratégica.
5. O cenário brasileiro: eficiência como imperativo
No Brasil, a IA será cada vez mais um mecanismo de sobrevivência operacional, diante da pressão por custos, margens e resseguro.
Destaques do contexto local:
Metas agressivas de eficiência: 78% dos líderes de seguradoras brasileiras planejam reduzir sua base de custos em pelo menos 10% até 2030.
Investimento crescente em IA: A expectativa é que o orçamento de TI destinado à IA salte de uma média de 8% para até 20% nos próximos anos — consolidando a tecnologia como um pilar estruturante, e não mais como iniciativa isolada de inovação.
Conclusão
Em 2026, as seguradoras líderes não serão aquelas que apenas “testaram IA”, mas sim as que reconstruíram seus fluxos de trabalho com base em autonomia, visibilidade contínua e integração entre estratégia e execução.
A capacidade de alinhar, em tempo real, as decisões operacionais às diretrizes da liderança — de forma segura, auditável e eficiente — será o diferencial competitivo do setor.
Autor
Equipe Brick
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Publicado em
11 de dez. de 2025




